Começa a Retrospectiva 2025, o resumo dos principais fatos do ano e começamos falando de política que teve como grande fato político o julgamento do núcleo que tentou dar golpe de estado e que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro que termina o ano atrás das grades e outro fato político do ano foi a crise diplomática envolvendo Brasil e Estados Unidos.

O fato político mais importante de 2025 foi a prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado. O ex-presidente e mais sete integrantes do chamado núcleo do golpe foram julgados e condenados. A denúncia da Procuradoria Geral da República foi aceita em fevereiro baseado na delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e o processo penal foi instaurado em março e Bolsonaro virou réu junto de outras sete pessoas em cinco crimes: organização criminosa, golpe de estado, tentativa violenta de abolição do estado democrático de direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio. No dia 10 de junho Bolsonaro esteve frente a frente com Alexandre de Moraes e negou a ideia do golpe, por outro lado confessou que entregou aos militares a minuta do golpe. No dia 14 de julho a PGR pediu ao STF a condenação de Bolsonaro em meio a crise entre Brasil e Estados Unidos. No dia 18 Moraes determina o uso de tornozeleira eletrônica acatando alegação da Polícia Federal de que ele atrapalhava o curso do julgamento. Foi a resposta dada ao presidente americano Donald Trump que alegou haver caça às bruxas (mais detalhes abaixo). Dias depois Bolsonaro foi até o Congresso de tornozeleira e disse que aquilo era uma humilhação. Moraes decidiu vetar a participação dele em lives, no dia 4 de agosto o clima esquentou pois Moraes decidiu decretar prisão domiciliar de Bolsonaro por violar medidas restritivas, pois no dia anterior ele discursou mesmo sendo proibido de participar de lives em um ato e sua fala foi transmitida pelo filho Flávio Bolsonaro que é senador. No entendimento de Moraes Bolsonaro tentou coagir a justiça e por isso ele passou a cumprir prisão domiciliar. No dia seguinte a decretação da prisão domiciliar o Congresso virou palco de um motim causado por parlamentares bolsonaristas que paralisou as atividades do Congresso por mais de 30 horas. Então veio o momento mais importante do processo, o julgamento pelo STF no mês de setembro. Depois de oito sessões os ministros da primeira turma votaram, primeiro Moraes que foi o relator do processo, depois Flávio Dino que seguiu o relator, aí veio o voto do ministro Luiz Fux que decidiu absolvê-lo, mas foi o voto de Carmen Lúcia que decidiu pela condenação. No fim foram 4 votos a favor da condenação e Bolsonaro teve a sentença de 27 anos e 3 meses decretada. Sua condenação em cinco crimes se deu por ser o líder da organização que tentou dar golpe de estado e se manter no poder. Os outros condenados foram os generais Walter Braga Netto (26 anos), Augusto Heleno (21 anos), Paulo Sérgio Nogueira (9 anos), o almirante Almir Garnier (24 anos), o ex-ministro da justiça Anderson Torres (24 anos), o ex-deputado federal Alexandre Ramagen (16 anos) e o tenente-coronel Mauro Cid que foi condenado a dois anos de prisão. Após a condenação começou um tímido movimento no Congresso para que fosse colocado na pauta projeto de lei pedindo anistia aos condenados nos atos de 8 de janeiro de 2023. A partir daí começou a haver a expectativa de que quando a pena começasse a ser executada até que na manhã do sábado, 22 de novembro o país acorda com a notícia da prisão preventiva de Bolsonaro pela PF a pedido de Moraes. Bolsonaro foi preso por ter violado a tornozeleira eletrônica com ferro de solda e havia o risco de fuga pois Flávio Bolsonaro iria realizar uma vigília e Moraes viu nessa vigília o risco de uma fuga por isso decretou a prisão preventiva. Bolsonaro foi levado até a sede da Superintendência da PF em Brasília onde passou a ficar a partir do dia 25 quando começou oficialmente a cumprir pena. No mesmo dia outros condenados começaram a cumprir as penas impostas. No começo de dezembro foi aprovado na Câmara dos Deputados projeto de lei da Dosimetria que pode reduzir a pena de Bolsonaro pra dois anos, o projeto foi aprovado pelo Senado e agora irá pra sanção presidencial, mas o presidente Lula irá vetar o texto e no dia de Natal Bolsonaro passa por uma nova cirurgia motivada por uma hérnia inguinal. O bolsonarismo entrou em colapso em 2025. Com Jair Bolsonaro preso os filhos foram personagens desse colapso. Eduardo Bolsonaro que foi deputado federal está fora do país desde fevereiro foi um dos responsáveis diretos pela crise entre Brasil e Estados Unidos agindo contra os interesses do país e em dezembro foi cassado por excesso de faltas junto de Alexandre Ramagen por estar foragido, por sua vez o senador Flávio Bolsonaro contribuiu pra prisão domiciliar do pai ao gravar a fala dele no ato de 3 de agosto em Copacabana e pra complicar ainda mais a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro entrou no fim do ano em atrito com a cúpula do PL devido às críticas feitas por ela da aproximação do ex-governador do Ceará Ciro Gomes com a direção do partido no estado. No começo de dezembro Flávio anuncia de surpresa que é pré candidato à presidência, mas ameaça desistir até que uma carta feita em punho pelo pai confirma a pré candidatura. Bolsonaro terminou o ano se submetendo a mais uma cirurgia no dia de Natal pra corrigir uma hérnia inguinal.
Já a deputada Carla Zambelli fugiu do Brasil em junho após ser condenada pelo Supremo a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça junto do hacker Walter Delgatti. Zambelli foi condenada por porte de arma de fogo ilegal pois na véspera do segundo turno das eleições de 2022 foi flagrada ameaçando um homem na rua com um revólver em punho. E ainda foi condenada a perda do mandato de deputada, pois foi presa em julho pela polícia da Itália e num acordo de cooperação espera ser extraditada e em dezembro a Câmara dos Deputados manteve o mandato, mas por poucas horas pois uma decisão do Supremo determinou a perda imediata do mandato pois a Câmara contrariou uma decisão judicial e ao mesmo tempo os ministros formaram maioria pra manter a decisão de Moraes, mas no dia 14 ela renuncia ao mandato e assume então o suplente Adílson Barroso.
A crise diplomática que estremeceu as relações entre Brasil e EUA
Um dos assuntos que deu o que falar foi a crise envolvendo Brasil e Estados Unidos com muitos personagens. Tudo começa quando no dia 7 de julho o presidente americano Donald Trump declarou que o Brasil promovia a caça às bruxas por causa do julgamento então eminente de Bolsonaro, dois dias depois Trump manda uma carta ao presidente Lula impondo um tarifaço de 50% em produtos importados pelo Brasil ao país, a resposta do governo brasileiro foi através da reciprocidade. O tarifaço entrou em vigor no dia 6 de agosto, no dia 30 de julho a tensão aumentou quando Trump solta um pacote de sanções do tarifaço poupando produtos essenciais como sucos, celulose e aviões e enquadrar o ministro do STF Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky que é aplicada a ditadores. A soluçção do governo brasileiro foi partir para o diálogo até que no dia 23 de setembro durante a assembleia geral da ONU Lula e Trump dão os primeiros sinais de entendimento. O presidente americano disse que houve uma química entre eles e marcaram uma reunião para aparar as arestas. Em outubro os dois presidentes se encontraram na Malásia e saíram otimistas da reunião. Lula defendeu a soberania nacional e pediu pausa nas tarifas e sanções enquanto Trump não abriu exigências e previu avanço rápido. No dia 12 de dezembro o governo americano retira as sanções contra Moraes.
As peripécias nada legais do Congresso em 2025
O Congresso brasileiro mostrou em 2025 que segue contrário aos interesses do povo e protagonizou fatos lamentáveis. Em fevereiro foram eleitos pra presidir as casas legislativas Hugo Motta (Câmara dos Deputados) e Davi Alcolumbre (Senado) mostrando a força do Centrão, em agosto parlamentares da oposição paralisaram as atividades da Câmara dos Deputados por 30 horas em protesto pelo decreto de prisão domiciliar de Bolsonaro, em dezembro um ato de truculência muito covarde aconteceu quando o deputado Gláuber Braga (PSOL-RJ) sentou na cadeira do presidente pra protestar e ele foi retirado à força pela polícia legislativa e pra agravar o fato jornalistas foram expulsos e o sinal da TV Câmara foi cortado num ato de censura, em setembro a PEC da Blindagem foi aprovada na Câmara, mas rejeitada de forma unânime pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado diante da pressão popular. Outra pauta que os parlamentares tentaram aprovar no desespero foi a urgência no projeto de anistia aos condenados dos atos de 8 de janeiro. E ainda teve outra emenda polêmica, o PL Antifacção que proíbe a presos provisórios votar nas eleições. A proposta do deputado Guilherme Derrite segue em apreciação.
Sai Barroso, entra Messias, sqn
No STF Luís Roberto Barroso decidiu se aposentar e deixou o quadro de ministros e em seu lugar o presidente Lula indicou Jorge Messias, ministro da AGU e a indicação gerou mal estar entre o Palácio do Planalto e o Congresso, principalmente o presidente do Senado Davi Alcolumbre que defendia a indicação de Rodrigo Pacheco e respondeu impondo pauta bomba com forte impacto nos cofres públicos. A sabatina que estava marcada pro dia 10 de dezembro foi adiada pro ano que vem por falta de tempo e Alcolumbre cobrou Lula por omissão.
O ocaso de Collor, preso por corrupção
Em 2025 um outro ex-presidente também foi parar atrás das grades. Fernando Collor de Mello que governou o país entre 1990 e 1992 foi preso em abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Condenado em maio de 2023 a pena de 8 anos e 10 meses por participar de esquema de corrupção na BR Distribuidora recebeu propina de R$ 20 milhões em troca de apoio político e ele foi preso após negação do STF do segundo recurso da defesa, desde então ele cumpre prisão domiciliar pois tem mal de Parkinson. Collor de Mello sofreu processo de impeachment em 1992 sendo o primeiro presidente na história do Brasil a perder o mandato em processo de impeachment.
Um ano complicado pra Lula que sofre com perda de popularidade
O presidente Lula teve um terceiro ano de mandato complicado por conta de um semestre enfrentando perda de popularidade e dificuldades na relação com o Congresso. Em fevereiro o presidente atingia o mais baixo índice de popularidade de seus três mandatos com 24% de aprovação e para reverter esse quadro o presidente mudou a equipe de comunicação ainda mais depois de uma fake news irresponsável sobre uma suposta taxação do Pix por parte do governo que reagiu revogando a norma interna da Receita Federal. O ano também teve troca de ministros: na Saúde Nísia Trindade foi substituída por Alexandre Padilha e Juscelino Filho foi exonerado da pasta das Comunicações por envolvimento em esquema de corrupção e desvio de recursos quando era parlamentar. Outro que foi demitido por corrupção foi Carlos Lupi da Previdência devido ao escândalo das fraudes (leia mais na retrospectiva econômica), já Celso Sabino (União Brasil) e André Fufuca (PP) mesmo com ameaças e punições de seus partidos seguraram seus cargos sendo que Celso Sabino foi expulso do União Brasil em dezembro. Dentre as poucas conquistas destaque pra aprovação da ampliação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. No final do ano o presidente recupera um pouco da popularidade perdida por conta da condução firme da crise diplomática com os EUA.
A eleição já começou e direita busca um candidato
A eleição presidencial de 2026 começou a ganhar contornos em 2025. Com Bolsonaro fora do jogo eleitoral por estar inelegível e preso a corrente bolsonarista ainda busca o candidato ideal pra enfrentar o presidente Lula. O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas é apontado como o candidato, mas ele vem negando e a decisão passa por Bolsonaro, mas já teve governador se lançando candidato antecipadamente. O governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) se antecipou e em agosto lançou sua candidatura, outros nomes em evidência para compor a chapa presidencial são os do governador de Goiás Ronaldo Caiado e os filhos de Bolsonaro Flávio e Eduardo sendo Flávio pré candidato em lançamento no começo de dezembro. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro poderia concorrer à vice presidência, mas os filhos de Bolsonaro não a aprovam, daqui até meados de 2026 teremos novos capítulos da corrida presidencial.
A retrospectiva segue e a seguir o balanço da economia.















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