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Memória 2014: Um ano de grandes perdas

A Retrospectiva 2014 vai se aproximando do fim e hoje, último sábado do ano é hora de saudade. 2014 viu muita gente importante deixar o plano físico da vida em vários setores.

A morte que apagou o brilho de um político promissor


Eduardo Campos era considerado um potencial e promissor presidente no futuro, mas o destino impediu que ele chegasse lá. Na manhã do dia 13 de agosto ele viajaria para Santos onde cumpriria mais compromissos de campanha, só que o avião em que viajava, um modelo Cessna caiu sobre um bairro residencial matando todos os ocupantes. Além de Campos morreram dois assessores, um fotógrafo, o piloto e o co -piloto. Em quase 30 anos de carreira política foi deputado estadual, duas vezes deputado federal e foi ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato do ex- presidente Lula além de ser duas vezes governador de Pernambuco.

Ano de luto pesado no cinema





No cinema mundial grandes perdas marcaram 2014. No dia 2 de fevereiro morria o ator Philip Seymour Hoffmann, ganhador do Oscar em 2005 por sua atuação no filme Capote. Ele foi encontrado na banheira de sua casa com uma agulha de seringa e vários envelopes de heroína. No dia 10 morria Shirley Temple, que começou aos 3 anos e ficou famosa por vários filmes nos anos 30. O documentarista Eduardo Coutinho morreu no dia 2 a facadas pelo seu filho que sofre de problemas mentais. Sua obra tem como destaques Cabra Marcado para Morrer, Jogo de Cena e Babilônia 2000. Outra morte do ano foi da atriz Lauren Bacall, em 12 de agosto.


No dia 11 de agosto os fãs do ator Robin Williams ficaram chocados ao saber da morte do comediante de filmes de sucesso como Uma Babá Quase Perfeita e Gênio Indomável, onde ganhou o Oscar de 1997. Ele foi encontrado em sua casa enforcado pelo cinto. Outras mortes do ano foram as dos diretores Mike Nichols, Richard Attenborough e Harold Ramis, a atriz Joan Rivers e os atores Bob Hoskins, Maximilian Schell e James Garner.

O adeus de três gigantes da dramaturgia brasileira




2014 para a dramaturgia brasileira foi pesada, pois este ano perdemos três grandes nomes que abrilhantaram durante muitos anos nossa telinha. Em 13 de março o ator Paulo Goulart morre aos 81 anos vitimado por um câncer. No dia 5 de abril o país é surpreendido pelo anúncio da morte do ator José Wilker, aos 67 anos de idade, vitimado por um infarto fulminante. Ator de carreira de grandes sucessos se destacou tanto no cinema como na TV. No dia 4 de outubro Hugo Carvana morre aos 77 anos. Típico incorporador do malandro carioca atuou em mais de 50 filmes no cinema e personagens marcantes na TV como Valdomiro Pena, o jornalista policial de Plantão de Polícia, Lineu Vasconcelos de Celebridade entre outros.

Lágrimas para o criador de Chaves e Chapolin


Com humor infantil e ingênuo, Roberto Gomes Bolaños conquistou milhares de fãs pelo mundo inteiro, e em especial os brasileiros descobriram o seu talento há 30 anos. Com frases como Não contavam com minha astúcia, sigam - me os bons, ninguém tem paciência comigo e foi sem querer querendo que seus personagens Chaves e Chapolin conquistaram crianças e adultos. Ultimamente não aparecia tanto em público devido à sua saúde frágil. No dia 28 de novembro Bolaños partiu aos 85 anos.

Ano de muitas perdas na literatura




Um ano repelto de perdas na literatura mundial. A maior delas foi do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez em 17 de abril. Um dos mais renomados escritores do século XX, o autor de Cem Dias de Solidão lutava contra um cãncer linfático. Aqui no Brasil tivemos as mortes de Ivan Junqueira, Rubem Alves e Rose Marie Muraro. No dia 18 de julho a literatura brasileira ficou órfã de João Ubaldo Ribeiro, ganhador do Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa e autor de clássicos como Sargento Getúlio, O sorriso do Lagarto e Viva o Povo Brasileiro. No dia 23 de julho nos despedimos de Ariano Suassuna, autor de O Auto da Compadecida, uma obra teatral que ganhou adaptações no cinema e na TV. Em 13 de novembro o poeta Manoel de Barros morre aos 97 anos, ganhou dois prêmios Jabuti.

A voz que emocionou o esporte se cala


No ano da Copa do Mundo no Brasil o jornalismo esportivo brasileiro perdeu sua referência e voz da emoção. Luciano do Valle foi para Uberlândia no dia 19 de abril onde iria narrar o jogo entre Atlético Mineiro e Corinthians pelo Brasileirão quando se sentiu mal durante o voo e passou mal falecendo uma hora depois aos 66 anos. Foram mais de 50 anos de carreira transmitindo grandes eventos esportivos sempre carregando na emoção. Como empresário lançou ídolos como o boxeador Maguila, a dupla Paula e Hortência e ressuscitou a carreira de Emerson Fittipaldi. Sua grande contribuição foi elevar o vôlei ao status de segundo esporte na preferência do torcedor.




O jornalismo esportivo brasileiro ficou ainda desfalcado de Maurício Torres, que acompanhou quatro Olimpíadas e duas Copas do Mundo e representante da nova geração de narradores. Maurício morreu após problemas de coração que o levaram a uma infecção generalizada que o matou em 31 de maio aos 43 anos. Em 11 de julho o médico e jornalista Osmar de Oliveira morria aos 71 anos. Ele sofreu complicações depois de retirar um tumor na próstata. Osmar era torcedor fervoroso do Corinthians e também foi médico fisioterapeuta. No dia 25 de outubro perdemos a elegãncia dos textos de Michel Laurence, francês que veio para o Brasil aos 12 anos e um dos fundadores da revista Placar e da Bola de Prata.

Um ano de luto no futebol












2014 foi um ano repleto de desfalques no futebol mundial. No dia 5 de janeiro Portugal chorou a morte de Eusébio, o Pantera Negra, considerado pelos portugueses o maior jogador da história atrás apenas de Pelé e que levou Portugal a um brilhante terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966. Em 20 de março o Brasil perdeu Hideraldo Bellini, o primeiro jogador a erguer a taça de campeão mundial e imortalizar um gesto que ficou marcante após cada conquista na Copa do Mundo.

Em 7 de junho a torcida do Internacional ficou de luto com a morte trágica e precoce de um de seus ídolos recentes: Fernandão, que iniciou carreira no Goiás, mas virou ídolo no Colorado onde foi capitão nas conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2006. Fernandão sofreu um acidente de helicóptero quando voltava de sua fazenda em Aruanã e morreu horas depois.

Também para a torcida do Fluminense 2014 deixou marcas pesadas pois foi ano de adeus ao Casal 20. Num intervalo de 42 dias morreram Washington e Assis. Ainda no futebol o ano foi marcado pelas mortes de Marinho Chagas (1º de junho), Alfredo Di Stefano (7 de julho), Armando Marques (17 de julho) e Julio Grondona (30 de julho).

Vozes que se calaram na música


Na música 2014 também deixou marcas indeléveis com muitas perdas. O baixinho Nelson Ned ficou famoso por seu repertório romântico a partir da década de 60. O seu grande sucesso foi Tudo Passará. Gravou 35 discos e cantou no Carnegie Hall de Nova York.


No dia 8 de maio Jair Rodrigues morreu repentinamente devido à um infarto agudo do miocárdio aos 75 anos. O cantor foi precursor do funk no país com o hit Deixa isso pra lá em 1964 e trabalhou ao lado de Elis Regina.


Em 22 de dezembro o rock silenciou com a morte de Joe Cocker, aos 70 anos. Sua voz rouca levou multidões a seus shows e uma de suas interpretações mais marcantes foi no festival de Woodstock em 1969 com a cover de With a little help from my friends dos Beatles e que ficou conhecida no Brasil por ser o tema de abertura do seriado Anos Incríveis exibido nos anos 90 pela TV Cultura.

Outros mortos da música foram o violonista espanhol Paco de Lucia, a cantora Vange Leonel, autora de Noite Preta, da novela Vamp, a ex- vedete Virgínia Lane e a cantora Marlene.

Adeus a empresários empreendedores


No campo do empreendorismo 2014 também foi cruel com o desaparecimento de ícones como o empresário Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, a mais importante rede varejista do país em 20 de novembro e de Norberto Odebrecht, fundador e presidente de honra do conglomerado que leva seu nome.


Como presidente de honra do grupo Votorantim Antônio Ermírio de Moraes também geriu o hospital Beneficência Portuguesa e chegou a se aventurar na política ao ser candidato ao Governo de São Paulo em 1986. Ele morreu no dia 24 de agosto aos 86 anos.

Adeus na política


Na política 2014 também fez seus mortos. O ex- primeiro ministro de Israel Ariel Sharon morre em 11 de janeiro depois de ficar 8 anos em coma. Um ataque cardáco matou o ex- presidente do Haiti Jean Claude Duvailer, o Baby Doc, que havia voltado ao país em 2011.


No Brasil tivemos as perdas de Sérgio Guerra, ex- presidente do PSDB, Marcello Alencar, ex- prefeito e governador por duas vezes no Rio de Janeiro e Plínio de Arruda Sampaio, um dos fundadores do PT e depois candidato à presidente em 2010 pelo PSOL.



Dois ex- ministros também nos deixaram neste ano. Adib Jatene tinha mais de 20 mil cirurgias no currículo e por duas vezes foi ministro da saúde nos governos de Collor e FHC e foi o criador do imposto da saúde, a CPMF. O advogado Márcio Thomaz Bastos era um dos mais influentes do país e além de atuar em casos de grande repercussão foi ministro da justiça no primeiro mandato do ex- presidente Lula.

Outros mortos do ano: Marly Marley (jurada de TV), Cláudio Abbado (maestro), Loureiro Neto (radialista), Canarinho (ator), Alain Resnais (cineasta), mãe Dinah (vidente que ficou famosa ao prever o acidente dos Mamonas Assassinas em 1996), Jack Brabham (tricampeão mundial de Fórmula 1), Max Nunes (humorista e parceiro de Jô Soares), Manoelita Lustosa (atriz), Fausto Fanti (humorista integrante do grupo Hermes e Renato), Corey Griffin (criador do desafio do balde de gelo que arrecadou dinheiro à quem sofre de esclerose amiotrófica), Sérgio Rodrigues (designer), Emílio Botin (dono do banco Santander), Andrea de Cesaris (ex- piloto de Fórmula 1), Oscar de La Renta (estilista), A Duquesa de Alba, aristocrata da Espanha, Lucy Mafra (atriz) e Ralph Baer, o inventor do videogame Odyssey e do Genius.

A retrospectiva será encerrada neste domingo com o que de melhor ocorreu na temporada do futebol.

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