Retrospectiva 2017: O ano de grandes duelos e do adeus brasileiro na Fórmula 1

A Retrospectiva 2017 continua e a partir de agora o esporte toma conta, e como sempre começamos com cheiro de gasolina pra falar do ano nas pistas do Brasil e do mundo. Ano de duelos empolgantes e por aqui lamentamos ficar de fora do espetáculo da principal categoria do esporte no maior e mais grave momento da crise no automobilismo nacional.

Fórmula 1: O tetra de Hamilton



Lewis Hamilton chegou ao tetra em ano onde superou seu ídolo Senna em poles e recebeu o capacete do tricampeão

Desde a introdução dos motores híbridos em 2014 só tinha uma equipe dominante no campeonato, a Mercedes, mas em 2017 apareceu alguém para tentar interromper o domínio das flechas de prata. O alemão Sebastian Vettel com o carro da Ferrari foi a ameaça do inglês Lewis Hamilton durante a temporada e isso ele já provou logo na abertura vencendo na Austrália, Hamilton deu o troco na China, depois Vettel vencia no Bahrein. O campeonato foi ficando equilibrado até a etapa de Monza quando Hamilton venceu na casa dos tifosi e assumia pela primeira vez a liderança do mundial. Em Cingapura a sorte começou a mudar quando uma péssima largada tirou os dois carros da Ferrari e Hamilton abriu caminho para vencer e disparar, na Malásia Vettel teve de fazer uma prova de recuperação pra chegar em quarto lugar, mas no Japão o motor deixou o alemão na mão e Hamilton abriu caminho pro título que veio no GP do México onde teve de fazer uma prova de recuperação pra somar pontos suficientes pra conquistar o tetra com um nono lugar enquanto Vettel chegou apenas em quinto pois ele precisava vencer e levar a decisão no mínimo pra Interlagos. Neste ano o inglês superou o número de poles que era de Michael Schumacher passando a ser o novo recordista de poles com 72 poles e no Canadá recebeu um presente da família Senna, o capacete que ele usou na primeira vitória dele em Mônaco 30 anos atrás.





Chase Carey assumiu o comando da categoria e uma das inovações é a nova logomarca 


No primeiro ano como nova gestora da categoria a empresa Liberty sob o comando de Chase Carey começou a modificar alguns itens dos tempos de Bernie Ecclestone e as corridas ficaram bem empolgantes, por outro lado a entidade viu a guerra entre Renault e Mercedes. No fim da temporada foi lançada a nova logomarca da categoria substituindo a antiga que vigorava desde 1994.

Um adeus digno pra Felipe Massa


Felipe Massa se despede da Fórmula 1 e depois de quase 50 anos país ficará sem representante

Desaposentado devido à aposentadoria de Nico Rosberg Felipe Massa acabou voltando para correr mais uma temporada na Williams. Ele foi convocado pois Valtteri Bottas foi ocupar a vaga do alemão na Mercedes e o carro acabou não ajudando na empreitada, pois a equipe obteve apenas um pódio com Lance Stroll no Azerbaijão. Massa ainda acabou à frente do companheiro ficando em 11º lugar no campeonato. Nosso único representante na F1 teve uma despedida digna de seu público em Interlagos onde batalhou o tempo todo com Fernando Alonso e chegou em sétimo, na última corrida se despediu fazendo zerinhos na pista. Em 15 anos de carreira foram 270 Grandes Prêmios com 11 vitórias, 15 poles e sendo o quarto piloto que mais venceu na Ferrari. A Fórmula 1 o largou dele, mas a velocidade não pois no começo deste mês de dezembro ele anunciou que vai correr na abertura da próxima temporada da Stock Car à convite do pentacampeão Cacá Bueno na corrida de duplas.

E agora, sem representante qual o futuro do Brasil na Fórmula 1?

Depois de quase meio século onde conquistamos oito títulos mundiais e 101 vitórias o Brasil vai ficar sem pilotos na Fórmula 1. A falta de investimento da Confederação Brasileira de Automobilismo na formação de novos talentos nas pistas é o retrato do descaso da entidade com o esporte. Sem representante o Brasil ainda tem seu GP, mas o público parece que está aprendendo a gostar do esporte, independente de ter ou não seu representante só que para ter piloto nacional na categoria vai demorar um pouco mais. Nosso potencial candidato à entrar no futuro é o mineiro Sergio Sette Câmara, terceiro colocado na Fórmula 3 e em 2018 será piloto na Fórmula 2, a antiga GP2. Ele afirmou que não quer pular etapas, pois espera estar na Fórmula 1 dentro de dois anos. Pietro Fittipaldi que ganhou a World Series que foi extinta espera que em breve ele possa trazer de volta o sucesso do país nas pistas da categoria. E por muito pouco não ficamos sem o GP, pois neste ano houveram problemas de segurança nas imediações do Autódromo de Interlagos devido à ocorrência de dois assaltos à membros da Mercedes e da Pirelli e o teste de pneus foi cancelado, mas existe ainda a ameaça do prefeito João Dória privatizar o autódromo e se tornar alvo da especulação imobiliária, à exemplo que aconteceu com o extinto Autódromo de Jacarepaguá no Rio de Janeiro.

Sem brasileiros a temporada de 2018 promete grandes novidades, uma delas é a adoção do Halo, uma proteção para o cockpit garantindo segurança para os pilotos e a expectativa para mais um duelo entre Vettel e Hamilton.

Indy: O ano de Newgarden, um campeão rápido e abusado




Em ano de estreia na Penske Newgarden atropelou os rivais e ficou com o título da Indy


O americano Josef Newgarden chegou com tudo na poderosa equipe Penske e em seu ano de estreia se tornou campeão da Fórmula Indy. Rápido e talentoso o abusado Newgarden desbancou seus rivais com velocidade e garra às vezes cometendo excessos como em Saint Louis forçando uma ultrapassagem arriscada tocando no seu companheiro de equipe Simon Pagenaud, por isso o título deste ano foi justo e está em boas mãos. Newgarden venceu quatro corridas no ano e na decisão em Sonoma foi cerebral e correu sem arriscar e forçar o equipamento pra garantir o segundo lugar que lhe deu o título deste ano. O vice campeonato foi do francês Simon Pagenaud, campeão de 2016 com Scott Dixon se metendo no meio dos pilotos de Roger Penske terminando em terceiro. Hélio Castroneves mais uma vez chegou a brigar pelo título, venceu em Iowa quebrando um jejum de vitórias brasileiras desde 2014, mas cometeu erros e terminou o campeonato em quarto lugar. Logo após o encerramento foi anunciado que ele ira correr na categoria de protótipos deixando de correr em tempo integral, mas estará presente na próxima Indy 500. Tony Kanaan teve uma temporada pra esquecer na equipe de Chip Ganassi e ano que vem muda pro time de AJ Foyt que será 100% brasileiro pois terá como companheiro de equipe o gaúcho Matheus Leist que conquistou este ano três vitórias na Indy Lights, categoria de acesso, dentre elas a prova de 100 milhas de Indianápolis.


A edição de número 101 da Indy 500 teve como atração especial Fernando Alonso. O espanhol trocou a incerteza da McLaren pela chance de brilhar no templo sagrado do automobilismo americano e não fez feio, pelo contrário. Ele chegou a liderar a corrida por várias voltas e só não venceu porque o motor Honda o deixou na mão. Ele acabou sendo o melhor rookie da corrida que foi vencida pelo japonês Takuma Sato, a primeira de um nipônico na mais tradicional prova do automobilismo. Em 2018 o calendário terá como novidade a volta do circuito misto de Portland, no estado do Oregon que já sediou corridas na CART. O México adiou seu retorno pois não rolou acordo entre os promotores da Indy e os donos do autódromo Hermanos Rodriguez.

NASCAR: Truex se supera e conquista um título emocionante




Martin Truex Jr conquista título na divisão principal em ano de superação e perseverança


Em 2017 a NASCAR mudou de patrocinador, saindo a empresa de telecomunicação Sprint e entrando o energético Monster e outra novidade foi no formato das corridas que passaram a serem divididas em segmentos e quem soube aproveitar melhor a regra foi Martin Truex Jr que foi o piloto com mais vitórias na temporada, oito no total. Foi um título na base da superação pro piloto do carro 78 da equipe Furniture Row, pois sua esposa luta venceu um câncer no ovário e ele perdeu um de seus melhores amigos que era seu chefe de mecânicos. Truex chegou à decisão em Homestead disputando contra três campeões e no fim segurou Kyle Busch que tinha o melhor carro, mas não teve potência e velocidade pra fazer a ultrapassagem. 2017 marcou o ano do adeus para Dale Earnhardt Jr, o queridinho da América, Matt Kenseth, o Mr. Consistência e Danica Patrick que só correrá a Daytona 500 ano que vem. Para quem acompanhou o campeonato no canal Fox Sports 2 o ano de 2017 não deixará saudades, pois o canal vinha transmitindo as corridas normalmente, mas nos playoffs transmitiu as provas para quem tinha o aplicativo enquanto eram mostrados jogos do campeonato argentino e só mostrou as três provas finais ao vivo.

2018 caminha pra ser o ano da continuidade da renovação na categoria. Novos pilotos surgem e o próximo a debutar na divisão principal será William Byron, campeão da Xfinity. Ele se junta à Kyle Larson e Chase Elliott como símbolos da renovação e na Truck Series o campeão foi Christopher Bell.

F - E: Brasil conquista o segundo título da história


Lucas di Grassi celebra a conquista do título da Fórmula E que em três anos viu dois títulos do Brasil

Aos poucos a Fórmula E vai se firmando, mas ainda não é uma categoria atrativa, mesmo assim o campeonato vem tendo domínio do Brasil e na temporada 2016/17 conquistamos o segundo título em três campeonatos disputados. Lucas di Grassi vinha de um vice na temporada anterior e deu o troco em Sebastién Buemi. O suíço deixou escapar o bicampeonato na rodada dupla final em Montreal e o brasileiro se aproveitou ganhando a primeira corrida e na segunda jogou com o regulamento embaixo do braço e neutralizou o ímpeto de Buemi que teve um fim de semana desastroso jogando fora um título praticamente certo. O outro brasileiro Nelsinho Piquet não fez uma boa temporada no último ano pela China que não se encontrou de novo e se transferiu pra Jaguar. A nova temporada começou em dezembro com a rodada dupla de Hong Kong mas o Brasil sofreu uma baixa, pois perdeu a etapa que seria realizada em São Paulo devido ao impasse da privatização do Anhembi.

Motos: O indomável Marc Marquez


Marc Marquez chegou ao seu quarto título em cinco anos na Moto GP

Cada vez mais o espanhol Marc Marquez vai impondo uma dinastia na Moto GP e neste ano ressuscitou o estilo agressivo característico pra conquistar pela quarta vez a divisão máxima da Motovelocidade. Marquez teve como arma a consistência e o grande rival neste ano foi o italiano Andrea Dovizioso que foi vice campeão. Na Moto 2 o ítalo brasileiro Franco Morbidelli levou o título e foi premiado para disputar a categoria principal e o país terá de volta um piloto disputando o mundial. O paulista Eric Granado foi campeão europeu e como prêmio irá disputar a Moto 2 graças a colaboração de amigos liderados pelo jornalista Celso Miranda.

Truck: O fim e o começo de uma nova era

F-Truck 2017 - Curitiba


Fórmula Truck saiu de cena e deu lugar à Copa Truck que teve como primeiro campeão Felipe Giaffone

Em 2017 o automobilismo de caminhões brasileiro passou por um momento de transição com o fim de uma e o surgimento de outra categoria. A Fórmula Truck saiu de cena depois de 22 temporadas dando lugar à Copa Truck. A F - Truck iniciou 2017 ainda mais atolado na crise que começou em 2016, pois os pilotos liderados por Felipe Giaffone iniciaram um movimento que levou à saída dele e de outros 18 pilotos da categoria pois não concordavam com a gestão de Neusa Navarro. No fim de janeiro foi divulgado o calendário da F - Truck com 10 corridas sendo uma internacional. No fim de março a categoria foi pra pista do Velopark sem antes enfrentar um problema administrativo: a entidade tinha dívidas com a Federação Gaúcha e só depois do pagamento de uma taxa é que a pista foi liberada. Apenas 9 pilotos disputaram a corrida vencida por Paulo Salustiano, a corrida seguinte em Rivera teve 10 pilotos na pista e Wellington Cirino venceu de forma dominante. Em Londrina foi disputada a última corrida da categoria e o vencedor foi Salustiano. Enquanto isso os dissidentes criaram a Copa Truck, o campeonato com seis corridas divididas em três Copas regionais - Centro Oeste, Nordeste e Sul - Sudeste. Na Copa Centro Oeste o campeão foi Beto Monteiro e Felipe Giaffone levou a Copa Nordeste e a Copa Sul/ Sudeste se tornando o primeiro campeão da nova categoria. Junho foi o mês final da existência da Fórmula Truck e a gota d'água foi o cancelamento da etapa de Cascavel numa verdadeira sucessão de trapalhadas da organização da entidade. No dia 28 de junho a categoria chegava ao fim com a suspensão das atividades da temporada 2017 que terminou sem campeão e completamente esvaziada. Para Neusa Navarro a grave crise econômica ocasionou o fim da categoria, já a Copa Truck começou a se consolidar e no ano que vem em seu segundo campeonato terá mais visibilidade com a realização de duas etapas no exterior e o calendário terá 9 corridas divididas em quatro copas regionais e a grande final em 9 de dezembro em Curitiba.

Stock: O ano mágico de Daniel Serra




Daniel Serra venceu seu primeiro título na Stock coroando seu melhor ano no automobilismo com direito à vitória em Le Mans


Daniel Serra teve um ano fantástico correndo na equipe Eurofarma e conquistou seu primeiro título na Stock Car além de vencer pela primeira vez a tradicional 24 Horas de Le Mans na LMGTE - Pro. Serrinha venceu quatro corridas dentre elas a Corrida do Milhão e na etapa final em Interlagos fez uma prova conservadora pra chegar em terceiro lugar. Thiago Camilo foi o vice campeão. A categoria sob nova direção vai ficando cada vez mais forte e no ano que vem terá a presença de Nelsinho Piquet que será companheiro de Cacá Bueno na equipe CIMED e Felipe Massa como convidado na corrida de duplas que volta depois de um ano.

A retrospectiva prossegue neste sábado destacando o futebol.

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