segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016: O ano em que a política virou do avesso

A Retrospectiva 2016 começa e como sempre falando de política. 2016 ficará marcado como o ano em que a estrela vermelha do PT foi ao chão depois de 13 anos no poder. O impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão de Michel Temer deixaram esperanças no ar, mas a Lava Jato segue no encalço de políticos que seguem fazendo tramoias às nossas custas.

O TRIPLÉX SUSPEITO QUE INCOMODOU LULA



Fachada do tripléx suspeito: uma grande dor de cabeça para Lula

O ano mal havia começado quando no dia 21 de janeiro surgia a denúncia de que o ex- presidente Luís Inácio Lula da Silva e sua mulher Marisa eram donos de um tripléx no Guarujá. O Ministério Público decidiu denunciar o ex- presidente no crime de ocultação de patrimônio, pois o imóvel foi reformado e mobiliado pela Odebrecht, a empreiteira punida pela Lava jato. Na época Lula disse que não tinha uma alma mais honesta que a dele. Mal sabia Lula que o inferno só estava começando não só para ele, mas também para o PT e o governo Dilma.

TEVE PIMENTA NOS OLHOS DO MARQUETEIRO





João Santana se encaminha para Curitiba e sua mulher Mônica Moura riu da cara do povo ao ser flagrada no momento da prisão

No dia 22 de fevereiro a Lava Jato faz novas vítimas. A 23ª fase da Operação, intitulada Acarajé o marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura são presos. Eles são apontados como recebedores de repasses de dinheiro da Odebrecht na campanha de 2014.



Março de 2016 entrou pra história como o mês em que a temperatura aumentou numa velocidade espantosa. No dia 3 de março a revista Istoé se antecipa e divulga em primeira mão o conteúdo da delação do então senador Delcídio do Amaral afirmando que Lula e Dilma obstruíram a justiça e que Lula pediu propina à Nestor Cerveró para evitar a delação. Delcídio seria cassado em maio em decisão unânime.

LULA ENCARA MORO E SOLTA O VENENO DA JARARACA



O ex- presidente Lula depois da condução coercitiva soltou o verbo e atacou todos 

Na manhã do dia 4 de março o país acorda com a notícia de que a Lava Jato chegou ao ex- presidente. A Aletheia, 24ª fase da Lava Jato pôs frente a frente Lula e o juiz Sérgio Moro. Forçado por um mandado de condução coercitiva o ex- presidente depôs em uma sala no Aeroporto de Congonhas e os investigadores suspeitaram do recebimento de R$ 30 milhões pelo pagamento de palestras que na verdade poderiam ser frutos de desvios da Petrobras. Os ânimos ficaram exaltados do lado de fora. Grupos simpatizantes ao PT e não simpatizantes se enfrentaram. Depois de depor, Lula convocou a imprensa afirmando que estava se sentindo como prisioneiro e disparou: A jararaca estava viva, um recado àqueles que queriam vê - lo preso. Uma semana depois os promotores do MP de São Paulo decidiram denunciar o ex- presidente nos crimes de ocultação de patrimônio e falsidade ideológica.

A MAIOR MANIFESTAÇÃO DA HISTÓRIA



Um mar de gente vestido de amarelo tomou conta da Avenida Paulista na maior mainfestação contra o governo 

O domingo 13 de março de 2016 foi dia do povo ir às ruas na maior manifestação da história do Brasil. Os atos em todo o país foram à favor de Sérgio Moro e contra Lula. O juiz foi saudado como herói em todos os atos. Em São Paulo segundo o Datafolha meio milhão de pessoas tomaram de assalto a Avenida Paulista no centro financeiro da cidade. Os protestos reuniram mais de 3,5 milhões de pessoas.



Lula e Dilma lado a lado na posse que não valeu: tentativa desesperada do governo naufragou depois da divulgação de diálogos explosivos

Enquanto isso o governo Dilma tentava se salvar, mas uma nova delação de Delcídio apontou que Dilma usou Aloízio Mercadante para sabotar a Lava Jato, mas foi outro conetúdo explosivo que aumentou de vez a tensão política no país. Foi quando no começo da noite de 16 de março o juiz Sérgio Moro liberou o sigilo e numa conversa telefônica explosiva Dilma e Lula combinaram em tentar obstruir a justiça. Na gravação Lula seria nomeado ministro chefe da Casa Civil com o objetivo de ganhar foro privilegiado e escapar das mãos de Moro, só que o tiro saiu pela culatra. Dilma avisava à Lula que enviaira o termo de posse para ser usado em caso de necessidade. Ao final do diálogo Lula se despediu com um Tchau querida. Logo depois em outra conversa o ex- presidente atacou as instituições. Foi a senha para a volta do povo às ruas. No Palácio do Planalto manifestantes cercaram as imediações em revolta contra a nomeação de Lula pedindo a renúncia de Dilma. No STF o rito do processo de impeachment era tramitado para seguir na Câmara. A posse no dia 17 acabou não sendo validada pela Justiça que suspendeu a manobra. No dia 18 um ato na Paulista e nos demais estados em apoio ao governo reuniu menos de 1 milhão de pessoas. O mês terminava com a debandada do PMDB da base aliada. O abandono do partido foi articulado por Michel Temer que ainda era o vice.

Em abril o impeachment avançava de forma rápida. A Comissão que analisava o processo na Câmara aprova o relatório do deputado Jovair Arantes por 38 x 27. O relatório acusava Dilma de cometer crime de responsabilidade devido ao artifício das pedaladas fiscais. Ao mesmo tempo outros partidos como o PSD de Gilberto Kassab deixavam a base aliada deixando Dilma perdida.

O DIA QUE DILMA COMEÇOU A PERDER O GOVERNO





Bruno Araújo foi carregado após dar o voto que autorizava o processo de impeachment avançar, em contraste com o choro da manifestante petista

Domingo, 17 de abril. O país para para acompanhar pela TV a votação que autorizaria ou não a continuidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Durante mais de seis horas os deputados foram á tribuma para declararem seu voto. Às 23h07 o deputado Bruno Araújo do PSDB de Pernambuco declarou o voto decisivo, o voto 342 que significava a autorização da continuidade do processo. Ao todo foram 367 votos à favor e 137 não mais 7 abstenções e duas ausências. Durante a votação muitas críticas ao processo conduzido por Eduardo Cunha que ainda vivia dias de extremo poder na presidência da casa. Pela segunda vez na história um processo de impeachment de um presidente era autorizado.

APOGEU E QUEDA DE EDUARDO CUNHA: DA PRESIDÊNCIA À PRISÃO



De poderoso à preso na Lava Jato; Eduardo Cunha viu seu mundo ruir após cassação e conduzir o processo de impeachment de Dilma Rousseff

Eduardo Cunha começou o ano em alta, na presidência da Câmara foi o condutor da abertura do processo de impeachment, mas sua sorte começou a mudar desfavoravelmente em 5 de maio. Foi quando o Supremo Tribunal Federal em decisão unânime afastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara por usar o cargo para obstruir as investigações da Lava Jato e por ser réu estava fora da linha sucessória. Assumia o vice Waldir Maranhão que logo de cara fez uma trapalhada ao tentar parar o processo de impeachment alegando ter vícios, só que o Senado acabou ignorando o pedido.

Depois do afastamento de Dilma Cunha seguiu até que em 7 de julho renunciou ao mandato por ser ameaçado de prisão como uma manobra desesperadora pra salvar o seu mandato. Na coletiva chorou sem convencer ninguém. No dia 13 de julho foi eleito o novo presidente Rodrigo Maia do DEM que vai cumprir mandato tampão até a nova eleição que ocorrerá em fevereiro de 2017.

Sem a presidência agonizava no mandato, tentou fazer manobras, mas acabou sendo cassado em 12 de setembro, mesmo tendo dois recursos negados pelo STF. Quando pensava em sumir do noticiário eis que no dia 19 de outubro o juiz Sérgio Moro autoriza a prisão de Cunha pela tentativa de obstruir as investigações da Lava Jato onde é acusado de ter mentido à CPI sobre a existência de contas não declaradas na Suíça.



E se Cunha foi presença constante o que dizer de Cláudia Cruz. A jornalista acabou se tornando ré na Lava Jato ao ser acusada de gastar mais de US$ 1 milhão desviado da Petrobras em artigos de luxo.

A QUEDA DA ESTRELA PETISTA







Placar da votação que afastou Dilma que horas depois saía do Palácio do Planalto que passava para Michel Temer assumir interinamente o poder

O processo contra Dilma avançava no Senado. Na manhã do dia 12 de maio a sessão que durou 22 horas chegava ao fim. Os senadores decidiram afastar Dilma Rousseff da presidência. Foram 55 votos a favor e 22 contra. Com o afastamento o vice Michel Temer assumia de forma interina até o julgamento no prazo de 180 dias. Na posse o então interino exaltou a Lava Jato e pediu um governo de salvação nacional. Por outro lado o afastamento significava o fim de 13 anos do Partido dos Trabalhadores no poder.

No dia 9 de agosto o Plenário do Senado decide autorizar a continuidade do processo com o julgamento e assim Dilma viraria ré, em 25 de agosto começava o julgamento final de Dilma no Senado. Os senadores se reuniram durante uma semana para julgar a presidente afastada por crime de responsabilidade. No dia 29 Dilma foi ao Senado para se defender das acusações e acusou o processo como golpe. No duelo dos advogados de defesa (José Eduardo Cardozo) e acusação (Janaína Paschoal) a emoção foi à flor da pele, mas tudo se encaminhava para o fim.

FATO DO ANO: CAIU DILMA E TEMER ASSUME DEFINITIVAMENTE





Dilma deixa o Alvorada e Temer agora era presidente definitivo: fim de 13 anos em que o PT esteve no poder

No dia 31 de agosto caía de vez o governo petista. Foi quando os senadores decidiram afastar definitivamente Dilma Rousseff que havia sido reeleita em 2014 com 54 milhões de votos. Foram 61 votos à favor e 20 contra. Era o fim definitivo do PT no poder e com a decisão Temer virou presidente efetivo. O processo de impeachment que durou nove meses chegava ao fim e Dilma perdeu o mandato por ter cometido crime de responsabilidade. 24 anos depois do impeachment de Fernando Collor o país assiste à mais um processo sendo fechado cumprindo o que determina a Constituição. Mesmo tendo perdido o mandato os direitos políticos foram mantidos. Logo após ser notificado Temer assumia definitivamente o poder e logo disparou ao não tolerar quem o chamava de golpista.

COXINHAS X MORTADELAS

A crise política dividiu o país transformando o ideário político num Fla Flu entre os coxinhas que defendiam os golpistas e mortadelas, defensores petistas. A divisão atingiu também a mídia que ficou dividida entre os grandes veículos da imprensa que era chamada pelos contrários de golpista contra os blogs chamados de progressistas como Brasil 247, Diário do Centro do Mundo, Conversa Afiada e outros que tiveram suas verbas cortadas por Temer.

Michel Temer discursa durante jantar com senadores da base aliada no Palácio da Alvorada

Em sete meses no poder Michel Temer bem que tenta governar, montou uma equipe coerente, mas escãndalos e a Lava Jato seguem no seu encalço. Logo no começo uma gravação de áudio derrubou Romero Jucá do Planejamento. Na gravação Jucá sugeria um pacto para estancar a sangria, depois Fabiano Teixeira caiu por também agir contra a Lava Jato. Em junho o ex- presidente da Transpetro Sérgio Machado resolve fazer a delação e apontar 25 políticos entre eles Temer de receber propinas desviadas da Petrobras. Em novembro o ministro da Cultura Marcelo Calero caiu por comprar briga com Geddel Vieira Lima que o pressionou para liberar um imóvel localizado em uma área tombada de Salvador. Logo após a saída em entrevista à Folha de S. Paulo Calero acusou o presidente de pressioná - lo. Geddel caiu da Secretaria de Governo. Por conta disto os índices de popularidade estão baixos e Temer termina o ano com reprovação de 51% segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste fim de semana.

BELA, RECATADA, DO LAR E CENTRO DAS ATENÇÕES



Marcela Temer demonstrou segurança no lançamento do programa Criança Feliz mostrando uma nova faceta no papel de primeira dama

Marcela Temer chamou a atenção dos brasileiros em 2011 na primeira posse de Dilma Rousseff com um penteado trançado e depois desapareceu, mas em 2016 reapareceu com tudo. A primeira dama foi chamada pela revista Veja de Bela, recatada e do lar, mas ela provou que pode também fazer bem às crianças. Marcela lançou o programa Criança Feliz e com voz segura demonstrou tudo aquilo que não era verdade.

ELEIÇÃO MOSTRA FORÇA TUCANA E QUEDA PETISTA







João Doria, Alexandre Kalil e Marcelo Crivella: três políticos que venceram eleições surpreendentes numa demonstração de que é preciso renovar a política

A eleição municipal ocorrida em outubro foi a primeira da história com novas regras e menor tempo de campanha. O grande vencedor foi o PMDB que elegeu ao todo 1038 prefeitos, mas em capitais o PSDB elegeu sete prefeitos. O PT foi o grande derrotado elegendo apenas um prefeito nas capitais. Além de perder no berço político de Lula, o ABC o partido colheu derrotas acachapantes em Recife e principalmente em São Paulo, que aliás foi responsável pela surpreendente eleição de João Dória. O empresário, um neófito na política começou atrás nas pesquisas, mas cresceu enquanto os outros se atacavam e com quase 54% dos votos (mais de 3 milhões de votos) se elegeu prefeito da cidade numa vitória do governador Geraldo Alckmin. Em Belo Horizonte o vencedor foi Alexandre Kalil do PHS em disputa contra João Leite, em Curitiba Rafael Greca venceu a eleição contra a surpresa Ney Leprevost que tirou do segundo turno o atual prefeito Maurício Fruet, em Porto Alegre os tucanos vão governar a capital pela primeira vez com a eleição de Nelson Marechezan Júnior, em Salvador ACM Neto do DEM foi reeleito em primeiro turno, em Recife Geraldo Júlio do PSB dettorou o ex- prefeito João Paulo no segundo turno e no Rio de Janeiro também em segundo turno o senador Marcelo Crivella do PRB venceu o candidato Marcelo Freixo do PSOL e herdará um município praticamente falido no legado pós Olimpíada deixado por Eduardo Paes

LAVA JATO SEGUE DANDO DOR DE CABEÇA AOS POLÍTICOS

A Operação Lava Jato vem desde 2014 apurando um esquema de corrupção na Petrobras e em 2016 deu muita dor de cabeça com novas prisões e delações. Em setembro o ex- presidente Lula é apontado pela força tarefa de ser o comandante máximo do esquema criminoso. Ele acabaria sendo denunciado pelo tripléx do Guarujá através do recebimento de propinas. Assim que foi apontado como comandante máximo Lula voltou a disparar a metralhadora giratória e desafiou os procuradores dizendo pra provar uma corrupção dele que ele irá a pé para ser preso.

A FALÊNCIA ADMINISTRATIVA QUE LEVOU O RIO DE JANEIRO À NOCAUTE







Prisões de Garotinho e Sérgio Cabral somados aos protestos das ruas levaram o Rio de Janeiro à falência admnistrativa

A Lava Jato também fez estragos no Rio de Janeiro com a prisão de Sérgio Cabral, acusado de chefiar uma quadrilha que desviou R$ 224 milhões junto à empreiteiras. Outro ex- governador preso foi Anthony Garotinho, acusado de compra de votos com dinheiro público numa clara demonstração do estado de falência que afundou o Rio de Janeiro. Mesmo num ano que recebeu os Jogos Olímpicos o carioca viu o estado quebrar e quem pagou a conta mais uma vez foi a população que se revoltou com protestos, invasões à sede da Assembleia Legislativa e confrontos com a PM, enquanto isso a saúde agoniza com hospitais lotados, a criminalidade voltando a aumentar e se agravando com a saída do secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame que implantou as UPPs e o salário dos servidores atrasados. Não foi só no Rio de Janeiro que as finanças foram pr buraco. No Rio Grande do Sul a crise administrativa levou à falência da segurança pública.

PACOTE É APROVADO NA CALADA DA NOITE



Deputados comemoram a aprovação do pacote anticorrupção numa afronta à Lava Jato

Às vésperas do Natal a crise política parece não ter fim e na madrugada do dia 30 de novembro o pacote anticorrupção foi aprovado no Congresso. O pacote de propostas é visto como uma retaliação à Lava Jato e uma das propostas é a existência da possibilidade de procuradores e juízes responderem por crimes de abuso de autoridade. Outra emenda polêmica que pautou o Congresso foi a PEC dos gastos, a 241. Em novas manifestações no dia 4 de dezembro os brasileiros repudiaram o pacote e protestaram contra Renan Calheiros.



No dia 9 de dezembro Cláudio Mello Filho, um ex- diretor da Odebrecht assina acordo de delação premiada e depõe afirmando que a empreiteira pagou R$ 7 milhões à parlamentares de destaque dentro do Congresso Nacional para garantir a aprovação de uma medida provisória de interesse da empreiteira. Na lista de políticos que receberam propinas estão os senadores Romero Jucá, Eunício Oliveira, o presidente da Câmara Rodrigo Maia e muitos outros. No fim das contas a Lava Jato realizou mais uma centena de prisões simbólicas (Palocci, Mantega, Bumlai) e também o Japonês da Federal Newton Ishii que foi acusado de facilitar o contrabando, mas voltou a atuar com tornozeleiras eletrônicas e outras condenações prometendo mais pra 2017.

O IMPERADOR DO SENADO



Renan Calheiros gerou no fim do ano uma tremenda crise com o Judiciário, mas não pode seguir a linha sucessória por ser réu

Renan Calheiros passou mais um ano à frente do Senado, mas termina 2016 em total descrédito. Renan virou réu no Supremo pela denúncia de pagamento de despesas pessoais com a filha da jornalista Mônica Veloso em 2007. Por ser réu ele ficou proibido de seguir na linha sucessória. No dia 5 de dezembro o ministro Marco Aurélio Mello decidiu afastar Renan do cargo, mas dois dias depois o Supremo decide manter Renan na presidência, mesmo sendo réu.

A Retrospectiva prossegue nesta terça para falar de economia num ano de forte crise.

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