Copa na Imprensa: 2006, o último grande momento da Itália tetra e o fiasco da bilionária seleção brasileira

A série Copa na Imprensa destaca hoje a Copa do Mundo de 2006 realizada na Alemanha.






A Copa de 2006 trazia uma novidade. A partir desta Copa o campeão do mundial anterior não tinha mais a vaga assegurada passando a disputar as eliminatórias. No fim das contas a Itália conquistava o seu quarto título mundial e o que seria seu último grande momento em Copas e depois só frustração com duas eliminações na fase de grupos e a eliminação nas eliminatórias em três edições seguidas.

 

A seleção brasileira chegou cercada de expectativas, afinal era a então campeã mundial e o time recheado de estrelas que muita gente comparou com a fantástica seleção de 1970 acabou fracassando de forma fragorosa na Alemanha. Pra começar houve muita badalação e os treinos na cidade suíça de Weggis eram uma atração a mais pra torcida, mas uma balbúrdia. Mesmo assim os treinos renderam pros cofres da CBF. Jogadores como Ronaldo Nazário chegaram fora de forma e o técnico Carlos Alberto Parreira, o comandante do tetra estava de volta acompanhado de Zagallo como coordenador técnico. A torcida apostava que o hexa viria sem tanto esforço, mas o que se viu foi o contrário, um bando de jogadores que não deram a mínima pro povo. Como símbolo desse fiasco Ronaldinho Gaúcho, então duas vezes melhor jogador do mundo e que na Alemanha foi uma caricatura do craque que ainda era no Barcelona: chegou com status de estrela e saiu com a imagem da máscara e do fracasso simbolizando o começo de sua decadência técnica e o prestígio diminuto.







  

A seleção estreou contra a Croácia em Berlim e toda a expectativa por um show se dissipou com uma atuação pálida e gol de Kaká.






 

  

 

Contra a Austrália em Munique o nosso futebol seguiu quadrado, mas vencemos os australianos com gols de Adriano e Fred.






 

 

  

 

No terceiro jogo contra o Japão que era treinado por Zico Parreira poupou os titulares e o time reserva deu show. Ronaldo desencantou e marcou duas vezes na goleada de 4 x 1 com Juninho Pernambucano e Gilberto marcando os outros gols.

 






 

 

  

 

 

 

Contra Gana nas oitavas de final o Brasil venceu, mas não convenceu. Ronaldo marcou o primeiro gol e na ocasião superava Gerd Müller como o maior artilheiro em Copas, Adriano fez o segundo e Zé Roberto fechou o placar de 3 x 0 e nas quartas de final o Brasil tinha contas a acertar com a França e Zidane, mas...







  

 

 

 

 

 

Quem esperava ver um show de Ronaldinho Gaúcho viu Zizou comer a bola em Frankfurt. O craque francês fez misérias ao contrário do brasileiro que preso ao esquema não teve chances. E foi nos pés de Zidane o passe pro gol de Thierry Henry, gol da vitória de 1 x 0 que mandava a seleção bilionária de volta pra casa depois de três finais seguidas adiando pra 2010 o sonho do hexa.

 

 








A Copa seguiu com times europeus e a final foi entre Itália e França. Os italianos buscavam o tetra e a França o bicampeonato e foram os franceses que saíram na frente com Zidane cobrando e convertendo o pênalti, mas a Itália empatou com o zagueiro Materazzi, logo os dois protagonistas do lance que mudou a história da Copa. Zidane deu uma cabeçada em Materazzi e o juiz o expulsou de campo numa cena que manchou o fim de carreira do craque francês. O jogo foi para os pênaltis e terminou com festa italiana que venceu a série por 5 x 3 se sagrando tetracampeã da mesma forma que o Brasil em 1994. Este foi o último grande momento da Azzurra em Copas do Mundo. 

Na Copa de 2006 criou - se uma enorme expectativa pelo título do Brasil, o hexa que não veio. Assisti os jogos exceto a estreia mais uma vez na casa dos meus tios. O jogo com a França assisti na casa do Ricardo e depois foi só frustração. Ganhei uma camisa da seleção que o jornal Aqui DF que era uma febre no Distrito Federal distribuiu aos leitores, era juntar os 30 selos e uma quantia em dinheiro para trocar pela camisa, naquela época comprava o jornal todo dia, ainda não trabalhava, coisa que aconteceu um mês depois da Copa. Nem deu pra colecionar os jornais, comprei apenas no jogo do Brasil contra Gana. 

Os meios de comunicação novamente mandaram equipes reduzidas. O Correio Braziliense voltou a produzir caderno especial e todos os jornais mesmo com o Brasil fora nas quartas manteve seus cadernos, a revista Placar mais uma vez publicou revistas especiais pós jogo do Brasil. Os fotógrafos enviados para a Alemanha foram: Ivo Gonzalez e Fernando Maia (O Globo), Alaor Filho, Celso Júnior, Eduardo Nicolau, Ernesto Rodrigues, Jonne Roriz e Sebastião Moreira (Estadão), Antônio Gaudério e Flávio Florido (Folha de S.Paulo), Ricardo Correa e Alexandre Battibugli (Placar).

Breve histórico da Copa do Mundo de 2006 - disputada entre 9 de junho e 9 de julho nas cidades de Berlim, Munique, Dortmund, Stuttgart, Gelsenkirchen, Hamburgo, Hannover, Frankfurt, Colônia, Kaiserslautern, Nuremberg e Leipzig
  • Campeã: Itália. 24 anos depois de ganhar na Espanha por ironia a Itália se tornava tetracampeã da mesma forma que o Brasil em 1994 ganhando nos pênaltis. O time dirigido por Marcello Lippi tinha jogadores como o goleiro Buffon, o zagueiro e capitão Cannavaro e os meio campistas Pirlo, Totti e Zambrotta levou a Copa com quatro vitórias e três empates.
  • Vice - campeã: França
  • Brasil: O time mais badalado da época chegou com favoritismo absoluto e um elenco recheado de estrelas, mas as coisas começaram a dar errado na preparação final em Weggis onde os treinos eram festa para a torcida numa verdadeira balbúrdia. O tal quadrado mágico revelou - se falho. Os Ronaldos vinham de fases distintas: o Ronaldo Nazário estava gordo e fora de forma enquanto o Ronaldinho Gaúcho voava no Barcelona. Diante disto o que seria um elenco de superstars se revelou um bando e o técnico Parreira não conseguiu extrair o máximo do elenco. Depois de uma primeira fase sem empolgar veio uma vitória enganosa contra Gana e nas quartas de final caiu de forma apática pra seleção da França pondo fim à uma geração de jogadores vitoriosos, mas que juntos não formaram um time.
  • Países participantes: 32
  • Gols: 147 - média de 2,3 por partida
  • Jogos: 64
  • Artilheiro: Miroslav Klose (Alemanha) - 5 gols

A série prossegue na próxima terça trazendo a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.

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