A série Copa na Imprensa entra em sua reta final e hoje falaremos da primeira Copa do século 21, a Copa do Mundo de 2002 disputada no Japão e na Coreia do Sul.

A Copa de 2002 foi a primeira a ser disputada em dois países e a primeira no continente asiático e por isso a maioria dos jogos foi de madrugada pois eram jogos do outro lado do mundo. Foi a Copa das zebras, a começar pelas eliminações precoces de França e Argentina. A seleção campeã mundial em 1998 chegou como grande favorita, mas não esperava um baque com a contusão séria de Zinedine Zidane a poucos dias da estreia. Sem Zizou a França perdeu o jogo de abertura para Senegal e empatou com o Uruguai. No desespero Zidane voltou pro jogo decisivo com a Dinamarca, mas sem totais condições de jogo o camisa 10 francês nada pôde fazer pra evitar a derrota. A seleção da Argentina caiu no chamado grupo da morte com Inglaterra, Nigéria e Suécia. Venceu os nigerianos, mas perdeu pros ingleses no jogo que ficou marcado pela vingança de David Beckham que havia sido expulso no jogo das oitavas na Copa de 1998 e empatou no último jogo contra a Suécia sendo eliminada na fase de grupos, o que rendeu uma capa sensacional do caderno de esportes do jornal O Globo no dia seguinte fazendo uma paródia com um comercial de uma empresa de cartão de crédito. A seleção da Coreia do Sul surpreendeu, ajudada pela arbitragem em duas partidas a seleção coreana terminou o mundial em quarto lugar.
A seleção brasileira passou um suplício nas eliminatórias com quatro técnicos começando com Wanderley Luxemburgo que no meio do caminho foi demitido por conta do vexame com a seleção sub-23 nos Jogos Olímpicos de Sydney, Candinho, Emerson Leão que prometia um futebol bailarino e o símbolo dessa seleção era Leomar, volante limitado do Sport de Recife, time no qual Leão treinava antes do convite da CBF e uma demissão polêmica no aeroporto de Narita no Japão após a derrota pra Austrália na Copa das Confederações até que Luiz Felipe Scolari assume o comando sem antes um novo vexame, a derrota pra Honduras na Copa América e aos trancos e barrancos classificou o time e a mão da sorte deu uma ajudinha no sorteio caindo num grupo fácil na primeira fase com Turquia, China e Costa Rica. Na época Felipão chamava esses times de Bambala e Arimatéia, uma referência a times de várzea de Porto Alegre. Antes da bola rolar teve polêmica com a convocação ou não do baixinho Romário. Felipão não atendeu o desejo da torcida e o baixinho ficou de fora. Assim surgia a Família Scolari.
O primeiro de sete passos rumo ao penta foi contra a Turquia na cidade coreana de Ulsan. Saímos atrás com o gol de Sas, mas no segundo tempo o Brasil virou com Ronaldo e Rivaldo num pênalti malandro de Luizão que caiu fora da área, mas o juiz marcou dentro e o zagueiro acabou expulso.

O segundo jogo contra a China em Seogwipo foi um treino de luxo e o Brasil goleou por 4 x 0 os chineses sem fazer esforço com gols de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos.
Contra a Costa Rica em Suwon a defesa chegou a preocupar tomando dois gols, mas na frente Ronaldo resolvia marcando dois com Rivaldo, Júnior e Edmilson num golaço decretando a vitória de 5 x 2. O Brasil avançava pras oitavas.
A seleção foi pro Japão e o primeiro desafio era a Bélgica em Kobe. Os diabos vermelhos deram trabalho pro goleiro Marcos que se destacou com grandes defesas. Na frente Ronaldo e Rivaldo resolveram no segundo tempo e o Brasil avançava pras quartas de final.



Contra a Inglaterra de David Beckham o Brasil mostrou superação e valentia. Os ingleses saíram na frente com Michael Owen aproveitando pixotada de Lúcio, mas o Brasil buscou a virada e o gol de empate começou numa pipocada de Bechkam e a bola sobrou pra Ronaldinho Gaúcho que conduziu a bola do meio de campo e dando passe pro gol de Rivaldo, depois Ronaldinho Gaúcho cobrou falta, a bola fez efeito e enganou Seaman morrendo no fundo do gol inglês. Pouco tempo depois ele pisa em Mills e é expulso e com um a menos o Brasil resiste a pressão inglesa passando pra semifinal.

Na semifinal um reencontro com a Turquia em Saitama. Como em 1994 o Brasil voltava a jogar com uma equipe do mesmo grupo e o Brasil dominou o jogo desde o começo. Ronaldo então apático exibia um novo penteado, estilo Cascão e fez um gol de bico colocando o Brasil na sua terceira final seguida.


Brasil e Alemanha, dois gigantes que jamais haviam se enfrentado em Copa do Mundo decidiriam em Yokohama o primeiro mundial do século XXI. Naquela manhã de domingo, 30 de junho o país acordou cedo para torcer pela seleção contra o time que tinha Oliver Kahn, a muralha alemã. No primeiro tempo o jogo foi parelho com o Brasil tendo as melhores chances, no segundo tempo a coisa parecia ir se repetir, mas aos 22 minutos Ronaldo tomou a bola do defensor alemão e serviu Rivaldo que chutou forte, Kahn falhou e deu rebote no pé de Ronaldo que arrematou, Brasil 1 x 0. O segundo gol surgiu em jogada de Kléberson que passou pra Ronaldo cortar o marcador e bater no canto direito de Kahn. Era o Brasil penta. Quatro anos depois do piripaque que teve Ronaldo dá a volta por cima e o Brasil conquistava a Copa com uma campanha brilhante de sete vitórias em sete jogos. Depois de Bellini, Mauro, Carlos Alberto e Dunga a taça foi erguida por Cafu que inovou na hora de receber o troféu subindo no púlpito onde estava a taça e dali declarou seu amor por Regina na inscrição 100% Jardim Irene em referência ao bairro onde foi criado e ergueu a taça em meio à chuva de papel picado no gramado.
A seleção voltou ao Brasil em festa e Brasília parou em 2 de julho para saudar os pentacampeões com uma festa inesquecível e com direito a uma cambalhota espalhafatosa de Vampeta descendo a rampa do Palácio do Planalto onde foram condecorados pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A Copa de 2002 por ter sido de madrugada deu pra acompanhar, principalmente os jogos do Brasil, mas tudo isso em meio à uma tempestade terrível na qual eu atravessava por ter perdido minha coleção física de revistas e sofrer bastante com isso. Assisti aos jogos na casa dos meus tios e apesar de não colecionar mais as revistas pois entrei em abstinência logo depois da Copa, mesmo assim ainda consegui alguns jornais e montei álbuns semelhantes aos da Placar com pós jogo das partidas. Nos jornais e revistas a cobertura sofreu impactos em razão da crise econômica e a segurança depois dos atentados de 11 de setembro. A revista Placar havia deixado de circular semanalmente (ela voltou a ser semanal em breve período entre abril de 2001 e janeiro de 2002) e voltou em edições especiais pós jogo, o jornal A Gazeta Esportiva deixou de circular em novembro de 2001. Os jornais mandaram equipes reduzidas. O Correio Braziliense lançou novo projeto gráfico de esportes, mas não teve caderno diário sobre o mundial separado do resto do noticiário. Os fotógrafos enviados para a Copa foram: Ivo Gonzalez e Hipólito Pereira pelo Globo, Alaor Filho, Paulo Pinto, Robson Fernandjes e Vidal Cavalcante pelo Estadão, Eduardo Knapp e Juca Varella pela Folha de São Paulo, Ricardo Correa e Alexandre Battibugli pela Placar.
- Campeão: Brasil. Depois de passar um tremendo sufoco nas Eliminatórias onde ficou ameaçado de não se classificar com quatro treinadores a seleção deu a volta por cima com um grupo que ficou conhecido como a Família Scolari. A campanha perfeita veio com sete vitórias em sete partidas disputadas. O time marcou 18 gols e sofreu apenas quatro
- Vice - campeã: Alemanha
- Países participantes: 32
- Gols: 161 - média de 2,52 por partida
- Jogos: 64
- Artilheiro: Ronaldo (Brasil) - 8 gols
A série continua na sexta com a Copa do Mundo de 2006 disputada na Alemanha.








































































































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