Copa na Imprensa: 1998, França é campeã e sonho do penta desmorona

A série Copa na Imprensa destaca hoje a Copa do Mundo de 1998 disputada na França.




A Copa do Mundo de 1998 foi a última do século XX e passou a contar com 32 seleções e no fim a França fez festa pelo primeiro título mundial. O Brasil era campeão mundial e não disputou as eliminatórias e antes da Copa a torcida confiava exageradamente na conquista do penta. O Velho Lobo Zagallo era o comandante e as esperanças estavam depositadas nas chuteiras de Ronaldo Nazário, na época Ronaldinho que foi escolhido em dois anos seguidos o melhor jogador do mundo e havia muita expectativa com a dupla de ataque formada por Ronaldinho e Romário, a dupla Ro-Ro, mas o baixinho sofreu uma grave contusão que acabou evoluindo pra um edema e diante de tantas contradições acabou sendo cortado a poucos dias da estreia.




 

 

 





 

 



E coube ao Brasil abrir a Copa de 1998 e nosso primeiro adversário foi a seleção da Escócia no Stade de France. O Brasil saiu na frente com César Sampaio, tomamos o empate com Collins e no segundo tempo a vitória veio com uma ajuda do zagueiro Boyd que marcou contra.


 

 







O segundo jogo foi contra a seleção do Marrocos em Nantes e Ronaldo marcava seu primeiro gol em Copas com Rivaldo e Bebeto marcando os outros dois gols, mas nem tudo foram flores. Uma discussão áspera entre Dunga e Bebeto mostrou que o grupo estaria desunido.



 

 



O terceiro jogo contra a Noruega em Marselha foi tratado como uma vingança pois os noruegueses venceram o Brasil em amistoso um ano antes. O Brasil saiu na frente com Bebeto, mas a Noruega virou com gols de Tore Andre Flo e Rekdal cobrando pênalti e no lance que originou a penalidade máxima o zagueiro Júnior Baiano puxou a camisa de Flo dentro da área. As câmeras oficiais da transmissão não captaram e foram imagens de uma televisão da Suécia que flagrou a infração e ajudou a esclarecer o lance.




 





 

O clima então azedou e os jogadores tiveram de lavar roupa suja mesmo com o time classificado e fizeram um pacto. Nas oitavas despachamos a seleção do Chile com uma goleada de 4 x 1 com Ronaldo e César Sampaio marcando dois gols cada.




 






Nas quartas de final a seleção começou atrás da Dinamarca que marcou gol com um minuto de partida, mas o Brasil virou no primeiro tempo com Bebeto e Rivaldo, só que os nórdicos chegaram ao empate numa falha de Roberto Carlos que tentou tirar de bicicleta e a bola caiu no pé de Brian Laudrup que empatou, mas Rivaldo numa linda jogada mandou um petardo de fora da área sem chance pra Schmeichel e fez o gol da vitória por 3 x 2 colocando o Brasil de novo numa semifinal. 




 

 

 

 





E a semifinal contra a Holanda foi de tirar o fôlego. O Brasil foi melhor na primeira etapa e no começo do segundo tempo abriu o placar com Ronaldo, depois o time teve outras chances de matar o jogo mas a Holanda conseguiu empatar no fim da partida com Kluivert. Na prorrogação com morte súbita as duas seleções tiveram chances de liquidar a fatura e o jogo foi pra disputa de pênaltis e brilhou a estrela de Taffarel. Na quarta cobrança holandesa de Philip Cocu o goleiro brasileiro voou pra pegar a bola e gerar um meme clássico com a narração histérica de Galvão Bueno (Ele e Taffareeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel!). Taffarel pegou a cobrança de Ronald de Boer e o Brasil estava novamente na final.



 

 

 









Um clima de euforia tomou conta do Brasil até horas antes da decisão contra os franceses donos da casa e o penta estava mais perto só que entrou um adversário indigesto de última hora que pegou o país de surpresa. Na manhã do dia 12 de julho de 1998 no Brasil, tarde em Paris surgem notícias de que Ronaldo teria sofrido convulsões. O jogador foi levado da concentração em Lesigny pro hospital de Paris e foi liberado. Ronaldo entrou em campo, mas de forma apática. Nosso melhor jogador sentiu o peso do stress e da pressão exagerada e o time brasileiro sentiu o golpe. A França não tinha nada a ver com isso e foi melhor em campo. Os franceses venceram os brasileiros por incontestáveis 3 x 0 e Zinedine Zidane se tornou o mais novo pesadelo brasileiro marcando dois gols de cabeça e Petit fechou o placar naquela que foi a maior derrota brasileira até então em Copas e mal sabíamos que iríamos sofrer uma derrota ainda maior, mas isso é assunto pra outra ocasião.

Minha última Copa quando morava no Conjunto G da 3 foi marcante até porque nessa época meu irmão colocou NET pra ver os jogos da Copa e nos dias de jogo do Brasil colocamos a TV na área de fora e assistimos os jogos exceto o jogo contra a Noruega, até porque foi num dia de tristeza nacional com a morte do cantor sertanejo Leandro e lembro bem do dia e não havia clima pra torcida, na final então nem se fala. Foi um clima de tristeza coletiva com a derrota. Tentei colecionar os jornais, mas só tive a coleção completa do Correio Braziliense.

Nessa Copa os meios de comunicação fizeram uma cobertura que prometia ser épica. A revista Placar repetiu 94 e lançou seis revistas pós jogo do Brasil todas feitas na França. As vendas não tiveram efeito positivo e não cobriram os custos de produção, a revista Manchete fez sua última cobertura de Copa do Mundo pois depois dessa Copa o Grupo Bloch entrava em parafuso e numa reação em cadeia foi desmoronando em razão da derrocada da Rede Manchete que fez também sua última cobertura de mundial. Veja e a então recém lançada revista Época anunciaram edições extras caso o Brasil fosse penta, mas tudo ficou pra 2002, a Folha lançou seu caderno com projeto gráfico revolucionário assinado por Vincenzo Scarpellini. Os fotógrafos enviados pelos órgãos foram os seguintes: Cláudio Versiani e Luís Tajes pelo Correio Braziliense, Hipólito Pereira, Ivo Gonzalez e Cezar Loureiro pelo jornal O Globo, no Jornal do Brasil foram Alaor Filho, Evandro Teixeira e Paulo Nicolella, no Estadão Fábio M.Salles, Orlando Kissner e Wilson Pedrosa estiveram presentes de novo com Paulo Pinto, Epitácio Pessoa e Célio Júnior, na Folha foram Jorge Araújo, Juca Varella, Ormuzd Alves e Eduardo Knapp, pela revista Veja o fotógrafo foi Paulo Jares, Juca Rodrigues pela Istoé, Masao Goto Filho que documentou o tetra pelo Estadão estava de novo na cobertura da Copa, agora pela revista Época, Sérgio de Souza pela Manchete, Pisco del Gaiso, Ricardo Correa e Alexandre Battibugli pela Placar 

Breve histórico da Copa do Mundo de 1998 - disputada entre 10 de junho e 12 de julho nas cidades de Paris, Saint -Denis, Marselha, Lyon, Lens, Nantes, Toulouse, Saint Etiénne, Bordeaux e Montpellier
  • Campeã: França. Foi um título inédito para o país depois de tentativas frustradas de gerações anteriores. No time comandado por Aimé Jacquet o grande destaque foi Zinedine Zidane, o maestro e que na final fez dois gols de cabeça.
  • Vice - campeão: Brasil. Com a base que ganhou o tetra a equipe dirigida por Zagallo era apontada como favorita, mas antes da Copa perdeu Romário e Ronaldo era a esperança até que horas antes da final o nosso melhor jogador teve convulsões e depois de ser liberado entrou e jogou de forma apática junto do time que acabou sofrendo aquela que seria a maior derrota até então (3 x 0 pra França, seria superada em 2014 com o infame 7 x 1 da Alemanha).
  • Países participantes: 32
  • Gols: 171 - média de 2,67 por partida
  • Jogos: 64
  • Artilheiro: Davor Suker (Croácia) - 6 gols

A série continua na terça falando da Copa do Mundo de 2002 e o penta da seleção no outro lado do mundo.

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