Copa na Imprensa: 1978, o primeiro título argentino e a seleção que foi campeã moral

A série Copa na Imprensa chega à metade e hoje vamos trazer a Copa do Mundo de 1978 disputada na Argentina


O mundial de 78 foi o último a ser disputado por 16 equipes. Havia um clima de tensão na Argentina por conta da ditadura militar e por conta disto o holandês Johann Cruyff desistiu de jogar o mundial. Os militares exigiam a vitória argentina a qualquer custo e organizaram o mundial que foi cheio de polêmicas, a maior delas ocorrida na última rodada da segunda fase quando a seleção argentina goleou o irreconhecível time do Peru por 6 x 0 e esse resultado tirou o Brasil da final. A equipe dirigida por Cláudio Coutinho tentou inovar com elementos táticos novos como overlapping e ponto futuro, mas no fim das contas o time não perdeu e mesmo tendo sido alijado da final ganhou o título de campeão moral, o que não significava nada.







O Brasil jogou em Mar del Plata num gramado que mais parecia um pasto. A estreia foi contra a Suécia no dia 3 de junho e o time empatou o jogo por 1 x 1. Reinaldo fez o gol brasileiro. O Brasil poderia ter vencido esse jogo se não fosse o juiz escocês Clive Thomas que não validou o gol de Zico no último lance do jogo por ter apitado o fim da partida.
 


 


 
O jogo seguinte contra a Espanha foi de vida ou morte e o Brasil só não perdeu porque Amaral salvou um gol da seleção espanhola em cima da linha. Diante da situação o então presidente da CBD Heleno Nunes interveio e exigiu mudanças na seleção afastando três jogadores.
 
 
 






E então veio o jogo com a Áustria e graças a um gol marcado por Roberto Dinamite o Brasil se classificava pra segunda fase onde enfrentaria os anfitriões, poloneses e peruanos em sorteio feito um dia depois.
 


 

 


 
E então veio a segunda fase e o Brasil estreou com vitória de 3 x 0 sobre o Peru em Mendoza. Zico voltou ao time e fez de pênalti, Dirceu fez dois gols.
 
 
  




 
 
 
 
  
O jogo contra a Argentina foi uma verdadeira guerra no jogo que ficou conhecido como A Batalha de Rosário por ter sido tão violento. Cláudio Coutinho fez mudanças colocando Chicão no lugar de Zico com a missão de parar o goleador Mario Kempes. Dentro de campo as duas equipes fizeram um jogo pegado e repleto de pontapés, no fim ninguém saiu vencedor e o jogo ficou no 0 x 0. Brasil e Argentina decidiriam a vaga na última rodada só que os argentinos fizeram uma manobra.
 

 


 
Brasil e Polônia jogariam simultaneamente no mesmo horário de Argentina e Peru, mas o jogo da Argentina foi deslocado para outro horário e o Brasil fez sua parte vencendo os poloneses, mas aí...
 
  



 
A Argentina entrou em campo um pouco mais tarde já sabendo o que precisava para se classificar e num dos jogos mais polêmicos da história dos mundiais goleou o irreconhecível time do Peru por 6 x 0 e esse jogo levantou suspeita de interferência por parte da ditadura pois o general Jorge Videla que governava o país queria fazer do futebol propaganda do regime. O goleiro Quiroga nasceu na Argentina e foi acusado de facilitar as coisas.  
 
 
 






Ao Brasil restou disputar o terceiro lugar com a Itália. O time venceu com gols de Dirceu e Nelinho num chute que pegou efeito e é considerado um dos gols mais bonitos de todas as copas. A final reuniu Argentina e Holanda no lotado Monumental de Nuñez, casa do River Plate. Os argentinos saíram na frente com Kempes e a Holanda empatou com Nanninga. O jogo foi pra prorrogação e aí prevaleceu a categoria argentina com os gols de Kempes e Bertoni. Pela primeira vez na história a seleção hermana conquistava o título mundial e o técnico César Menotti teve a ousadia de deixar de fora um certo Diego Armando Maradona.

Nas equipes que os veículos de imprensa mandaram para a cobertura da Copa destaque para duas figuras que anos mais tarde teriam carreiras distintas na televisão: Marcelo Rezende pelo jornal O Globo e Fausto Silva, sim, o Faustão que na época foi repórter do Estadão. Foi a última Copa do Mundo que a extinta Rede Tupi transmitiu e pra mim foi a primeira Copa do Mundo que vivi pois tinha menos de um ano de vida, era bem pequeno. Os fotógrafos que os veículos enviaram foram estes: Aníbal Philot em sua primeira Copa do Mundo, Eurico Dantas e Sebastião Marinho pelo jornal O Globo, Alfredo Rizzutti e Oswaldo Jurno pelo Estadão, Antônio Piroselli, Fernando Santos e Jorge Araújo pela Folha de São Paulo, Ari Gomes e Ronald Theobald pelo Jornal do Brasil, JB Scalco, Manoel Motta, Rodolpho Machado e José Pinto pela Placar, Carlos Namba pela Veja, Gil Pinheiro e Frederico Mendes pela revista Manchete.

Breve histórico da Copa do Mundo de 1978 - disputada entre 1 e 25 de junho nas cidades de Buenos Aires (dois estádios - José Amalfitani e Monumental de Nuñez), Córdoba, Mar del Plata, Mendoza e Rosário.
  • Campeã: Argentina - jogando em casa a seleção argentina ganhou seu primeiro título num torneio marcado por inúmeras falhas de organização, mas festivo pra ditadura militar. Foram quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota
  • Vice campeã: Holanda. Sem o astro Cruyff a Laranja Mecânica perdeu sua segunda final seguida
  • Brasil: O time treinado por Cláudio Coutinho tentou trazer inovações como overlapping e ponto futuro e terminou a Copa sem perder um jogo ficando em terceiro lugar se autointitulando campeão moral, mas a torcida não aceitou essa posição. 
  • Países participantes: 16. Foi a última edição de um mundial com esta quantidade de países.
  • Gols: 102 - média de 2,68 por partida
  • Jogos: 38
  • Artilheiro: Mário Kempes (Argentina) - 6 gols
A série prossegue na sexta feira destacando uma das Copas mais dolorosas, a Copa de 1982 disputada na Espanha.

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